Jogos de apostas no Brasil

Os cassinos são proibidos no Brasil desde 1946, quando o Decreto-Lei 9.215, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, criminalizou os jogos de azar (influenciado pela forte devoção católica de sua esposa, Carmela Dutra), enquanto as corridas de cavalos, as apostas esportivas e as loterias administradas pela Caixa Econômica Federal permanecem legais. Essa proibição torna o país uma exceção internacional, sendo um dos poucos países não islâmicos a banir cassinos, ao lado de Cuba e Islândia, e integrando, com Arábia Saudita e Indonésia, um grupo restrito no G20 que proíbe tais jogos — o que, segundo defensores da legalização, causa perdas em arrecadação, empregos e turismo para nações como Uruguai e Estados Unidos.

Historicamente, antes da proibição, o Brasil possuía cerca de 71 cassinos que empregavam 60 mil pessoas direta e indiretamente, sendo que a última roleta oficial girou no Hotel Copacabana Palace em 30 de abril de 1946, impactando severamente a economia de cidades turísticas como Petrópolis e Poços de Caldas. Posteriormente, os bingos e caça-níqueis foram legalizados na década de 1990 pelas leis "Zico" e "Pelé", mas acabaram banidos novamente em 2004 sob o governo Lula, após a comprovação de conexões desses estabelecimentos com o crime organizado e os "bicheiros".

Atualmente, a pressão da indústria e a enorme popularização das apostas online, que explodiram no país sobretudo a partir de 2018, reacenderam a campanha pela legalização ampla dos jogos, contrastando o argumento econômico e modernizador com o histórico enraizamento moralista e religioso da proibição nacional.