Racismo no futebol

Racismo no futebol refere-se a qualquer prática racista, como xingamentos ou gestos, ocorrida em campo ou nas arquibancadas, direcionada a jogadores ou participantes, e é punido como qualquer forma de racismo, apesar da pressão social e midiática contrária.

A discussão acadêmica sobre o tema no Brasil tem raízes em obras pioneiras, como O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho (1947), e os estudos de Anatol Rosenfeld (1954-1956), reunidos no livro Negro, Macumba e Futebol.

Posteriormente, o português Esteves abordou o racismo desportivo em 1967 e 1978, e em 1998 o artigo "A linguagem racista no futebol brasileiro" de Silva analisou como a mídia desqualifica jogadores negros, especialmente após derrotas em Copas do Mundo.

Em 1999, Soares contestou a narrativa de Mário Filho, gerando críticas acadêmicas, mas foi a tese de doutorado de Silva (2002) que trouxe um tema inédito: a dificuldade de ascensão dos treinadores negros, evidenciada em entrevistas com jornalistas.

Por fim, em 2010, a dissertação de mestrado de Marcel Diego Tonini, "Além dos gramados", baseada em 20 entrevistas com ex-jogadores e treinadores, reforçou essas conclusões ao focar na história oral de vida de negros no futebol.

Em resumo, a literatura mostra que, embora a presença de atletas negros tenha evoluído, as estruturas de dominação ainda persistem, especialmente na dificuldade de acesso a cargos de treinador no Brasil.