Comício da Central
O Comício da Central, também conhecido como Comício das Reformas, ocorreu em 13 de março de 1964 na Praça da República, em frente à estação da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, reunindo cerca de 200 mil pessoas para ouvir o presidente João Goulart e o ex-governador Leonel Brizola. Na ocasião, Jango assinou dois decretos: um que desapropriava refinarias de petróleo privadas (simbólico) e outro da SUPRA, que previa a desapropriação de terras subutilizadas para a reforma agrária, além de anunciar reformas como o voto para analfabetos e militares de baixa patente. Fatores curiosos marcaram o evento, como a existência de um plano de atentado a bomba que acabou sendo abandonado para "não criar um mártir", e a declaração do presidente à esposa de que cumpriria seu dever "mesmo que fosse o último". Este ato é considerado um catalisador do fim do Período Democrático (1946-1964), intensificando a crise política que culminaria no golpe militar poucos meses depois. O historiador Jorge Ferreira argumenta que essa experiência democrática foi desqualificada tanto pela direita, que via o povo como ingênuo, quanto pela esquerda, que acusava os líderes de manipulação, dificultando a valorização da participação política de trabalhadores e camponeses. Assim, o comício representa um ponto de virada crucial, expondo as tensões sociais e a luta pelas chamadas reformas de base no Brasil.
Source: Comício da Central — Wikipedia · Summary by RollWiki AI · Language: Portuguese